quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Sábio Índio




".. Tinha a qualidade que um velho índio uma vez atribuíra a sua jovem esposa:
Logo depois do casamento, a esposa passou a ser amante de todos os rapazes que viviam na fazenda. O proprietário chamou o índio velho para informá-lo da conduta escandalosa da jovem esposa e lhe disse que tomasse conta dela melhor.
O índio meneou a cabeça ceticamente e respondeu: "Bem, não sei por que devo me preocupar tanto. Minha mulher não é feita de sabão, não vai gastar".

Mathilde, Anaïs Nin.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Tio..


as vezes eu ainda me pergunto como vc pôde esquecer todos os retratos da sala e eu não pude perceber que era a hora de ir embora, mas quem sabe a hora de ir ou deixar ir? mas mesmo sem você, mais um dia raiou, mais estrelas se esconderam para as luzes mostrarem seus olhos como espelhos de papel.. olhos refletidos em espelhos de papel, numa moldura escura e esquecida no canto da mesa de cabeceira.. algumas vezes me pego a procurar vestígios de memórias, cheiros, sons, qualquer coisa que me mostre que você não foi um sonho. e outras vezes ainda me pergunto pq deus te segurou pelas mãos e te levou deste mundo tão cedo. ainda não aprendi o que fazer com os dias tão cheios de gente, tão cheios de trabalhos, tão barulhentos, mas ainda assim, tristes compridos e sem você..
ainda não consegui descobrir o quanto de mim morreu contigo, meu tio adorado..
"Saudade, da força que tinha o meus olhos nos teus
Eu vivo a mercê das lembraças...
Saudade, de cada momento que eu lembro de cor.
Só sabe de amor e de saudade,
Quem já ficou só."
Nana Caymmi

Pedaço de Mim..

Negrito
"Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar...


..Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais..

..Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu..


..Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi..


..Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Lava os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor
Adeus"
Chico Buarque









quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Academia



Mensalidade da academia R$ 180,00

Ipod para o sonzinho solitário na academia R$ 150,00

Tênis ultra mega confortável para malhar R$ 315,00

Malhas e Toalhinha R$ 80,00

Ir para academia depois do Happy Hour com a turma do escritório e cair da esteira...

NÃO TEM PREÇO!

segunda-feira, 17 de novembro de 2008


“Queria agarrar-se a cada fragmento de lembrança dos dois juntos. O fato de estar esquecendo o rosto dele a assustava. Quando sonhava com ele, sempre era outra pessoa, uma pessoa que construía em sua mente, com rosto e voz diferentes.
Uma vez ou outra, ligava para o celular dele apenas para ouvir sua voz na secretária eletrônica...
O cheiro dele havia desaparecido da casa..
Ele estava desaparecendo da mente dela, e ela aferrava-se a cada pequenino pedaço dele.
Pensava nele deliberadamente, todas as noites, logo antes de ir dormir, só para sonhar com ele.
Algumas vezes, quando saía, um cheiro familiar ou uma música a transportavam de volta a outro tempo e lugar. Um tempo mais feliz.”

PS. Eu te amo, Cecelia Ahern

sábado, 15 de novembro de 2008

Ai..


Ai… é o único som que consigo emitir hoje. Tudo dói. Dói até abrir os olhos, mas eles precisam permanecer bem abertos. Dói falar, dói qualquer movimento do corpo, mesmo quando estou só me acomodando na cadeira de couro preto. Dói olhar para esta mesa de trabalho neste sábado de manhã, e ler na agenda o listão de coisas que preparei ontem para fazer hoje, sendo que hoje dói simplesmente segurar uma caneta.

Dói pra caralho lembrar daquele corno do Maslow e de sua Teoria da Motivação e a Pirâmide coloridinha, onde a base fala sobre necessidades fisiológicas, que acredito que vale não só pra vida executiva. Sem as necessidades básicas atendidas não conseguidos fazer nada. E a minha necessidade neste momento é dormir em paz.. dói pensar na minha cama.

Cada piscada de olhos – vagarosamente, claro. Lembro do bar, do blues, do gordinho tocando aquela gaita irlandesa (dói entrar no pai google para pesquisar o nome, dói até tentar lembrar o nome), lembro de todas as coisas esquisitas e antigas que tinham lá. Do ursinho marrom, da luminária de bronze imoral, da máquina de costura preta, semelhante a uma que vovó tinha quando eu era pequena... só não lembro da quantidade de álcool ingerida, nem dos tecos. Foi o bar mais esquisito que entrei na vida, algum pedaço meu ficou lá pelo meio de tantas quinquilharias e coisas antigas.

Ressaca é algo que dói.

domingo, 9 de novembro de 2008

Telefone




A voz a voz dele parecia cansada, mas se tratava de alguém mergulhado em um tédio profundo e diário, um falso depressivo que buscava na crítica ao meio de vida geral e em seu ego um escudo para não ser feliz. Não, não, felicidade para ele não existe, é utopia de pessoas vazias, diria que é um escudo para o seu próprio lado leve de ser, que ele insiste em esconder de si. Naquele dia o tédio e a tristeza eram os maiores do mundo, pelo menos do meu.. ele atendeu ao telefone logo no segundo toque, para minha surpresa:
- Alô..
- Alô.. respondi me perguntando em silêncio de onde vem a palavra “alô”..
- Quem fala?..
- Sabe, meu caro, me faço essa pergunta todas as manhãs ao acordar. Pergunto-me qual será a máscara do dia, a colorida vibrante com sorriso largo ou a pálida e mórbida de um pierrô perdido. Ou ainda se serei a executiva bem sucedida ou uma mera estagiária tímida e esquecida. Em dias de manhãs diferente tenho vontade de ser a Mulher Maravilha, mas sempre lembro que perfeição não existe e pessoas que se dizem perfeitas são aquelas que escondem sombras profundas, então resolvo viver Alice no País das Maravilhas e no decorrer do dia cantar “Feliz desaniverssário” com meus amigos inventados ou enfrentar a grande Rainha de Copas e toda a sua arrogância.. ou melhor.. – ele me interrompeu:
- Você é Alice e lida com pessoas arrogantes durante todo o seu dia, além de ser mais feliz com seus amigos e amores inventados do que com aqueles que são reais.
- Estou cansada de ser e meus dias são iguais.
-Estamos, sinto por você.
- Porque é tão difícil mudar de vida, se sabemos que tudo pode ser melhor e diferente?
A risada dele fez quebrar a melancolia.
-Você é patética.
-Você já se perguntou até que ponto nosso amor foi inventado? e como disse Caio um certo dolorido-colorido. Até onde o que víamos e sentíamos um pelo outro era algo individual, algo que queríamos que o outro fosse por carências próprias, uma espécie de fuga. Já se perguntou o que teria acontecido se aquele sentimento todo tivesse a oportunidade de ter sobrevivido até o fim?.. mordi os lábios, sabia que o que ouviria em seguida poderia ser como mil facas entrando no meu pulmão, sem me deixar respirar para sempre..
- A nossa loucura, nosso tesão sobreviveu o tempo necessário, e quando se tornou amor nos perdemos, o “amanhã” cheio de incertezas ficou pesado, chato. Aquilo tudo era bom demais e a dor de uma decepção ou frustração poderia ser muito maior, por isso disse adeus dentro de um turbilhão de emoções. O nosso “outro” inventado, projetado, cuidadosamente moldado diariamente estava perdendo a essência do que nos encantou. Foi melhor assim, hoje sabemos que ainda existem fragmentos de dor, mas existe também muito do colorido de outrora.
Uma lágrima ensaiava descer, e minha respiração pesava, meus dentes depois de descravarem do lábio inferior me permitiu emitir um som qualquer, interrompido por ele.
-Porque esse papo esquisito agora e depois de tanto tempo?
- Porque em dias comuns, onde nada acontece, reviro o baú empoeirado do meu peito. Para sentir alguma coisa.
-Isso é triste e vazio.
- Porque depois de algum tempo e com outras experiências, consigo explicar melhor o que passou e digerir sem emoções fortes.
-A beleza da vida está nas fortes emoções e na hora que acontecem, depois não vale a pena mergulhar nas cinzas.
-Então, tudo aquilo para você virou cinzas?
-Não, apenas lembranças, alguma nostalgia e talvez algum arrependimento.
- Arrependimento? Não sabia que esse sentimento habitava o teu ser.
-Você não me conhece como pensa, sou um maldito homem. Com todos os malditos sentimentos e com todas as malditas memórias humanamente possíveis de se conservar.
-De que se arrepende?
- Talvez por algo dito, ou algo que podia ter sido dito, hoje não vem ao caso. Pára.
-Eu sempre te amei, disse baixinho.
-Eu também sempre te amei, repetiu baixinho.



Desligamos.








“Mas se eu tivesse ficado, teria sido diferente? Melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim, quando se sabe que doerá muito mais - por que ir em frente? Não há sentido, melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia –qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê. Melhor do que não sobrar nada, e que esse nada seja áspero como um tempo perdido.” Caio Fernando.









"Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você, ou apenas aquilo que eu queria ver em você, eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e, se era assim,até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que, no fundo, sempre no fundo,talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, entende?Dolorido-colorido,estou repetindo devagar para que você possa compreender.." Caio Fernando.

domingo, 2 de novembro de 2008



"A mulher precisa do homem impalpável, impossível.
As mulheres têm uma queda pelo canalha. O canalha é mais amado que o bonzinho"


Arnaldo Jabor

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Água Perrier


"Não quero mudar você nem mostrar novos mundos pois eu, meu amor, acho graça até mesmo em clichês. Adoro esse olhar blasé que não só já viu quase tudo mas acha tudo tão déjà vu mesmo antes de ver.

Só proponho alimentar seu tédio. Para tanto, exponho a minha admiração. Você em troca cede o seu olhar sem sonhos à minha contemplação: Adoro, sei lá por que, esse olhar meio escudo que em vez de meu álcool forte pede água Perrier."

Antonio Cícero


"Ignoro quem tu és, de onde vens, aonde irás... amo-te......pelo enigma pertinaz que em ti me atrai e me intimida, por essa música mendaz de tua voz que alvoroçou minha audição e me vem desviando a vida de seu destino de solidão......
Ignoro quem tu és, de onde vens, aonde irás... Fala-me sempre, mente mais... ...não te posso exprimir o pavor que me invade, as aflições que me consomem, ao meditar na triste realidade de que deve ser feita essa tua alma de homem....
Ignoro quem tu és, de onde vens, aonde irás... audaz desconhecido......tua palavra mente ao meu ouvido, mas não mente essa voz que me treslouca!— Ela é o amor que me chama por tua boca, num apelo tristonho, de saudade... é a exortação do sonho à minha rara sensibilidade......
Ignoro quem tu és, de onde vens, aonde irás... amo a ilusão que tua voz me traz.A falsidade em que procuro crer......Fala-me sempre, mente mais, que de mim só mereces tanto apreço, ó nebuloso, porque desconheço as humanas misérias de teu ser!..
Mas nesta solidão a que me imponho, quando quedo em silêncioa te aguardar a voz, como se torna teu enigma atroz, que ânsia de estrangular este formoso sonho, de transpor os espaços, de bem te conhecer, de me atirar depressa,inteira, nos teus braços, de te possuir só para te esquecer!...”
Gilka Machado

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Mentiras Sinceras..


'Passaste a vida a falar-me de amor. Mas tu nunca soubeste amar. Brincavas com as palavras e mentias com elas vidas inteiras como se nada mais existisse. Mas tu não conseguias sentir o que dizias.Mentias vidas sem fim. Mentias até acreditares no que dizias. E eu acreditei contigo e dei-te a minha vida como se todos os momentos fossem perfeitos. E esperei. Esperei estações atrás de estações até a minha espera perder-se nos anos que se esfumaram. E depois partiste.' Geadas, Carlos (2004), 'Esta Ausência', Os Dias de Um Homem Banal

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Se perdeu



"Chorar por tudo que se perdeu, por tudo que apenas ameaçou e não chegou a ser, pelo que perdi de mim, pelo ontem morto, pelo hoje sujo, pelo amanhã que não existe, pelo muito que amei e não me amaram, pelo que tentei ser correto e não foram comigo.

Meu coração sangra com uma dor que não consigo comunicar a ninguém, recuso todos os toques e ignoro todas tentativas de aproximação.

Tenho vergonha de gritar que esta dor é só minha, de pedir que me deixem em paz e só com ela, como um cão com seu osso.

A única magia que existe é estarmos vivos e não entendermos nada disso. A única magia que existe é a nossa incompreensão."

Caio F. de Abreu

domingo, 10 de agosto de 2008

Dialética


"É claro que a vida é boa, e a alegria, a única indizível emoção..
É claro que te acho linda, em ti bendigo o amor das coisas simples..
É claro que te amo e tenho tudo para ser feliz,
Mas acontece que eu sou triste..."
Vinícius de Moraes

A Colombina, o Pierrot e o Arlequim..


"Não! não me compreendeis...
Ouvi, atentos, pois meu amor se compõe do amor dos dois.
Hesitante entre vós, o coração balanço, o teu beijo é tão doce, Arlequim... o teu sonho é tão manso, Pierrot...
Pudesse eu repartir-me e encontrar minha calma dando a Arlequim meu corpo...e a Pierrot, minha alma!
Quando tenho Arlequim, quero Pierrot tristonho pois um dá-me prazer, outro dá-me o sonho!Nessa duplicidade o amor todo se encerra um me fala do céu... outro me fala da terra!
Eu amo, porque amar é variar e, em verdade, toda a razão do amor está na variedade...
Penso que morreria o desejo da gente se Arlequim e Pierrot fossem um ser somente.
Porque a história do amor só pode se escrever assim um sonho de Pierrot e um beijo de Arlequim!"
Máscaras, Nenotti del Picchia

sábado, 9 de agosto de 2008


"Vou uma vez mais correr atrás
De todo o meu tempo perdido
Quem sabe, está guardado
Num relógio escondido por quem
Nem avalia o tempo que tem..
Ou alguém o achou
Examinou, julgou um tempo sem sentido
Quem sabe, foi usado e está arrependido o ladrão
Que andou vivendo com o meu quinhão
Ou dorme num arquivo um pedaço de vida, vida..
A vida que eu não gozei
Eu não respirei, eu não existia
Mas eu estava vivo, vivo, vivo..
O tempo escorreu, o tempo era meu
E apenas queria haver de volta
Cada minuto que passou sem mim..
Sim, encontro enfim iguais a mim
Outras pessoas aturdidas, descubro que são muitas
As horas dessas vidas que estão
Talvez postas em grande leilão..
São mais de um milhão, uma legião,
Um carrilhão de horas vivas
Quem sabe, dobram juntas
As dores coletivas, quiçá
No canto mais pungente que há
Ou dançam numa torre, as nossas sobrevidas
Vidas, vidas a se encantar, a se combinar, em vidas futuras..
E vão tomando porres, porres, porres
Morrem de rir
Mas morrem de rir
Naquelas alturas
Pois sabem que não volta jamais
Um tempo que passou"
Chico Buarque - Um Tempo Que Passou

"Que a arte nos apronte uma resposta, mesmo que ela não saiba, e que ninguém a tente complicar porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer.
Porque metade de mim é platéia e a outra metade, a canção. E que minha loucura seja perdoada. Porque metade de mim é amor e a outra metade também."

Oswaldo Montenegro

Meus olhos eram peixes verdes..


"Já gastamos as palavras pela rua, meu amor, e o que nos ficou não chega para afastar o frio de quatro paredes. Gastamos tudo menos o silêncio.

Gastamos os olhos com o sal das lágrimas, gastamos as mãos à força de as apertarmos, gastamos o relógio e as pedras das esquinas em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada. Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro; era como se todas as coisas fossem minhas: quanto mais te dava mais tinha para te dar.

Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes. E eu acreditava.

Acreditava, porque ao teu lado todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos, era no tempo em que o teu corpo era um aquário, era no tempo em que os meus olhos eram realmente peixes verdes. Hoje são apenas os meus olhos.

É pouco mas é verdade, uns olhos como todos os outros. Já gastamos as palavras.

Quando agora digo: meu amor, já não se passa absolutamente nada.

E no entanto, antes das palavras gastas, tenho a certeza de que todas as coisas estremeciam só de murmurar o teu nome no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar. Dentro de ti não há nada que me peça água.

O passado é inútil como um trapo. E já te disse: as palavras estão gastas." Eugénio de Andrade..

"Que importa se a distância estende entre nós... léguas e léguas...

Que importa se existe entre nós muitas montanhas?...

O mesmo céu nos cobre...

E a mesmas terra liga nossos pés..

No céu e na terra é a tua carne que palpita...

Em tudo eu sinto o teu olhar se desdobrando...

Na carícia violenta do teu beijo...

Que importa a distância e que importa a montanha...

Se tu és a extensão da carne...

Sempre presente?.."

Vinícius de Moraes

Como você dói..




"Sabe que o meu gostar por voce chegou a ser amor?

Pois se eu me comovia vendo você dormir. Pois se eu acordava no meio da noite só pra ver você dormindo. Meu deus como você me doía vez em quando.


Eu vou ficar esperando você numa tarde cinzenta de inverno bem no meio duma praça, então os meus braços não vão ser suficientes para abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta coisa que eu vou ficar calada um tempo enorme so olhando você, sem dizer nada, so olhando, olhando e pensando, meu deus como você me dói vez em quando." Caio F. de Abreu

Dito e o Não Dito


"fica o dito e redito por não dito, é difícil dizer que foi bonito, é inútil cantar o que perdi.. e aí nosso mais-que-perfeito está desfeito e o que me parecia tão direito caiu desse jeito sem perdão..." Chico Buarque

quarta-feira, 16 de julho de 2008


"Partira e jamais voltaria. Aquela era a realidade. Ela nunca mais correria os dedos por seu cabelo macio, nunca mais partilharia uma piada secreta por sobre a mesa em um jantar comemorativo, nunca mais choraria em seu colo quando chegasse em casa após um dia difícil no trabalho e necessitasse apenas de um abraço, nunca mais dividiriam a cama novamente, nunca mais seria acordada por seus ataques de espirro a cada manhã, nunca mais ririam tanto que o estômago dela doeria, nunca mais brigaria com ele a respeito de quem era a vez de se levantar e apagar a luz do quarto.

Tudo o que restava era um conjunto de lembranças e uma imagem de seu rosto que se tornava mais e mais indefinida a cada dia..."
Ps. Eu te Amo, Cap. I, Pág. 4, Cecelia Ahern.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Problemas me Perseguem..


Eu não joguei pedra na Cruz, imagina!!, não foi só isso, com toda certeza fui mais além.
Enquanto ele estava pregado lá, no mínimo passei bêbada, joguei o tamanco, cuspi, joguei a garrafa, xinguei o coitado e ainda dei um cotoco!
Não é exagero, nem drama, to cansada, estressada, louca, to looooca! Queria lembrar do meu último domingo em casa, de quando eu saía as 18hs do trabalho e conseguia ver o fim de tarde, olhava para o relógio e contava os segundos para sair - literalmente.. nãooooo, não estou reclamando, sou muito feliz no que faço, mas to loca! Meu, sou cercada de gente sem noção, sem visão, sem compromisso, uns encostos, eu precisava de pelo menos mais uma de mim para colocar ordem na casa! E Salvem os clones, quero uma cópia minha.
Repito que não estou chorando de barriga cheia, e muito menos reclamando demais, afinal como diz uma grande pessoa que conheço “Assim como muito trovão é sinal de pouca chuva, muito peido é sinal de pouca merda.” Não sou A cara, A fodona, só me diferencio, porque sei o que é compromisso, e não consigo seguir o meu caminho com a casa bagunçada.
E estou vendo os meses e anos passarem, a idade aumentando, junto com o cansaço e aquela falta de vontade de fazer tanta coisa que antes nem passava pela minha cabeça deixar de fazer. Esse meu compromisso me fez ser engolida pelo meio porque a prioridade dos outros hoje está acima das minhas. E estou realmente muito confusa porque nunca quis tanto da vida, queria o mínimo de estrutura e viver bem. Colocar a mochila ir embora, apenas ir embora, encarar as minhas próprias dificuldades, superá-las, até faço isso, mas dentro de uma sala, atrás de um computador.
Bem sucedidos na minha idade são aqueles conseguiram se formar e fazer uma pós, estão num bom emprego, ganhando relativamente bem – até aí me encaixo – depois passam para o próximo passo, que é comprar um carro e um ap. com a própria grana, depois casar e ter filhos, e alavancar a carreira. Tenho grandes amigos que já estão fechando esse ciclo. Eu não quero, não quero, não quero e não quero..
EU SOU EGOÍSSSTAAAAAAAAAAAA. Nem me entendo, como posso cobrar que alguém o faça!, pra quê vou casar com alguém e maltratar o amor, porque o amor está na magia da liberdade gosto dos meus amores inventados, das paixões loucas, e filhos?? Com que moral vou ter com o moleque se sou do avesso e faço um monte de doidera?, esses problemas não podem chegar.
Eu quero viajar, conhecer pessoas, conhecer culturas, fazer algo que realmente gratificante, sei lá..
“Mas Como vai você?
Assim como eu
Uma pessoa comum
Filho de Deus
Nessa canoa furada
Remando contra a maré
Não acredito em nada não
Só não duvido da fé

Não quero luxo nem lixo
Meu sonho é ser imortal,
Não quero luxo nem lixo
Quero gozar no final”
Versão Rita Lee

domingo, 22 de junho de 2008


"Abre os teus armários.
Eu estou a te esperar,
Para ver deitar o sol sobre os teus braços, castos.
Cobre a culpa vã,
Até amanhã eu vou ficar,
E fazer do teu sorriso um abrigo.
Canta que é no canto que eu vou chegar. Canta o teu encanto que é pra me encantar. Canta para mim, qualquer coisa assim sobre você.
Que explique a minha paz.
Tristeza nunca mais.
Vale o meu pranto que esse canto em solidão.
Nessa espera o mundo gira em linhas tortas.
Abre essa janela,
A primavera quer entrar,
Pra fazer da nossa voz uma só nota.(...)"
Casa Pré-fabricada, Los Hermanos

Na sua estante..



Hoje me sinto muito bem, apesar do cansaço.
É certo que a música é para ser entendida do avesso, quem ouve sou eu, rs. Dane-se, me importo com o presente!!

"E não adianta nem me procurar

Em outros timbres, outros risos

Eu estava aqui o tempo todo

Só você não viu..


Você tá sempre indo e vindo, tudo bem,

Dessa vez eu já vesti minha armadura

E mesmo que nada funcione,

Eu estarei de pé, de queixo erguido,

Depois você me vê vermelha e acha graça,

Mas eu não ficaria bem na sua estante,


Tô aproveitando cada segundo

Antes que isso aqui vire uma tragédia"

Pitty

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Porque não morri contigo?


A venda de flores só deveria ser permitida desde que fossem em vasinhos. Acho um pecado matar plantas tão lindas, como as rosas, por pura vaidade. Nunca gostei de receber flores, gosto da surpresa, logo, as flores podem ser substituídas por qualuqer outra coisa.

Meu namorado sempre pensou da mesma forma, e mesmo em todos esses anos nunca tinha recebido - dele, nem sementes!

Ontem foi um dia bem estranho, eu não conseguia parar de pensar naquele que se foi, me peguei inclusive com lágrimas nos olhos ao ler uma conversa antiga, salva. Ele, todas as manhãs, quando não estava irritado, me enviava imagens de flores pela web e quando nos encontramos me deu um lindo vasinho com violetas, que permanecem na minha janela.

Hoje fui surpreendida com um lindo e enorme buquê de rosas vermelhas, e entre elas uma rosa branca.. Não foi meu namorado, ele nunca faria isso.

Percebi, pela primeira vez como espíritos podem de fato influenciar uma pessoa, induzi-las. Em nosso meio é normal acreditar que espíritos só se manifestam através de aparições fantasmagóricas, ou por milagres que queremos que aconteçam ou capazes de qualquer coisa inimaginável. A verdade é que eles são bem presentes, nos falando ao ouvido, dando idéias que achamos que surgem do nada, eles só não podem ir contra a Lei da Natureza.

Olho para as rosas e vejo o outro ao lado delas, sorrindo, sempre sorrindo.


Muitas saudades, que ele descanse em paz e entenda que ficar aqui do meu lado só vai atrapalhar a sua nova caminhada, meu Tio adorado.


"Foste o beijo melhor da minha vida, ou talvez o pior...Glória e tormento, contigo à luz subi do firmamento, contigo fui pela infernal descida! Morreste, e o meu desejo não te olvida: queimas-me o sangue, enches-me o pensamento, e do teu gosto amargo me alimento, e rolo-te na boca malferida. Beijo extremo, meu prêmio e meu castigo, batismo e extrema-unção, naquele instante por que, feliz, eu não morri contigo? Sinto-me o ardor, e o crepitar te escuto, beijo divino! e anseio delirante, na perpétua saudade de um minuto...." UM BEIJO - Olavo Bilac

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Dia 03..


Hoje me sinto tão triste, que é impossível escrever qualquer coisa. Esse é o 3º pior dia 03 da minha vida.


"Saudade é solidão acompanhada, é quando o amor ainda não foi embora, mas o amado já...

Saudade é amar um passado que ainda não passou, é recusar um presente que nos machuca, é não ver o futuro que nos convida...

Saudade é sentir que existe o que não existe mais...

Saudade é o inferno dos que perderam, é a dor dos que ficaram para trás, é o gosto de morte na boca dos que continuam...

Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade: aquela que nunca amou. E esse é o maior dos sofrimentos: não ter por quem sentir saudades, passar pela vida e não viver. O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido." Pablo Neruda

quarta-feira, 28 de maio de 2008


Sobre o terminar..

Isso não sai da minha cabeça, e pela primeira vez não é motivado por qualquer impulso relacionado a estresse ou paixões platônicas que invento.

Sete anos e pouco. Terminar.. pois não existe mais brilho, não existem mais beijos, o sexo é meramente para suprir necessidades, não existe mais paixão – paixão move o mundo. Terminar.. porque o que restou foi o companheirismo, a amizade e a compreensão de quase uma década. Nos olhares sabemos o que um está pensando sobre a situação, mas ninguém consegue falar. No fundo me pergunto se isso acontece com todo mundo depois de um tempo, mas não conheço absolutamente ninguém, com a realidade como a nossa.

Antes nos víamos com mais freqüência, dificilmente demorava mais de 2 dias. Hoje leva mais de uma semana e nos encontramos para eventos sociais e para aquela questão das necessidades. Desenvolvemos um outro lado nosso, quando juntos as conversas são brandas, sobre dia a dia, quando estamos com amigos falamos coisas que um se surpreende com o outro.

Sinto que já está na hora de desvincular. Ele está com nova vida, faculdade, logo, logo começa a trabalhar, enfim está começando a despertar para o mundo adulto e eu? Rs daqui a 3 anos estou com 30, já não tenho gás para esperar, por comodismo, costume, quero paixão, quero loucura, vida.

Eu realmente o amo muito, queria terminar e continuar como sua melhor amiga, mas ele não é evoluído o bastante, não entenderia. Acho que amamos alguém quando conseguimos entender o que é liberdade, deixar livre. Sem drama, sem teatro, sem forçar, sem insistir, sem sofrer..

Fico a me perguntar quando eu deixei de estar presente durante todos esses anos e lembro que começou quando passei a desacreditar quando vi que meu amor era desacreditado, quando fui tratada como objeto, por vaidade dele, enquanto ele estava com outra. Ali sofri como nunca tinha sofrido na vida, mas o amava e ele foi livre em todas as suas escolhas de idas e voltas. Mas ali, entendi que tinha que ser fiel aos meus sentimentos, e fui, e por isso deixei de estar presente com toda a minha alma pelo menos nos últimos 2, 3 anos. Não sei, não sei, eu estou prestes a explodir porque hoje meus amigos são os amigos dele, e nas raras vezes que encontro meus amigos não consigo conversar. Conversar com outras pessoas fico parecendo coitada, naqueles papos de malandro que diz que não está dando certo com a esposa só pra comer a vizinha – a ouvinte e o ombro amigo rs.

Mas realmente não agüento, e sinto meu peito apertado por isso.. terminar se faz necessário, mas eu não sei como fazer. Sete anos não são sete meses.

terça-feira, 27 de maio de 2008

INVENTÁRIO DO IR-REMEDIÁVEL


"- Podia esperar de qualquer um essa fuga, esse fechamento. Mas não em você, se sempre foram de ternura nossos encontros e mesmo nossos desencontros não pesavam, e se lúcidos nos reconhecíamos precários, carentes, incompletos. Meras tentativas, nós. Mas doces. Por que então assim tão de repente e duro, por quê?"


"- Seria isso, então? Você só consegue dar quando não é solicitado, e quando pedem algo você foge em desespero. Como se tivesse medo de ficar mais pobre, medo de que se alcance seu centro e nesse centro exista alguma coisa que você não quer mostrar nem dar ou dividir. Contido, dissimulado, você esconde essa coisa, será assim?"


[Diálogo, INVENTÁRIO DO IR-REMEDIÁVEL, Caio Fernando]

terça-feira, 20 de maio de 2008

Esteja em paz..


Ela se foi.. o corpo cansado não quis mais responder, ela não agüentava mais, achou melhor ir, desistir dessa vida.

Apenas 2 transbordavam sofrimento, mas era possível sentir que era mais pelo medo da solidão e pela palavra ou pelo abraço que deixou de acontecer do que por sua partida.

Mas seus pequenos Lusos estavam reunidos pela primeira vez, todos. Durante a madrugada o que deveria ser um velório repleto de choro e lamentações mais parecia um show de piadas portuguesa – e piadas reais, as risadas ecoavam livres, como ela teria o enorme prazer em ouvir e exatamente por isso a dor não foi maior, porque seria de um egoísmo extremo de nossa parte exigir dela mais tempo, se ela não queria mais aquele tempo, limitada a uma série de coisas, vivendo uma vida que não era mais dela. As risadas de certa forma acalmaram aqueles outros dois, porque ali diante de seus olhos estavam 2 gerações que ela deixou.

Ainda assim, ao perder alguém amado sinto que uma parte de mim também foi sepultada, o falso “nunca mais” e aquela imagem de um corpo sem vida são fortes. Mas aprendi a respeitar as limitações alheias – especialmente dos que eu amo, e meu egoísmo de ter perto, de apenas quando dava ir dá um abraço não é maior que esse respeito.

Descanse em paz minha vozinha amada, obrigada por tudo.

domingo, 11 de maio de 2008

É incrível..


Enfim, primeiras palavras atuais..


Incrível coma a energia que envolve pensamentos e sentimentos pode ser forte o bastane para mudar, o que não deve ser mudado ou talvez não devesse ser mudado.

Incrível como meias palavras tem o poder de mover e reviver um milhão de sentimentos e conclusões devidamente esclarecidos e entendidos. Palavras são só palavras sim, mas algumas pessoas não conseguem falar o que não sentem, não simulam, é verdadeiro o que dizem ou como se expressam.

Incrível como é se sentir TÃO, tão bem, estando bem, mas esse TÃO é especial porque ele não acontece todos os dias.

Incrível essa ressaca e esse cheiro de cigarro.

Incrível esse sono absurdo.

Eu não quero mais pensar no assunto, porque assim vem de volta todo um peso que não dá para carregar e isso é fato, é incrível, só quero sentir, só sentir. Porque eu já tinha esquecido como é gostoso sentir. Eu quero o agora, não quero saber de mais nada.



"Lembrei que tinha lido em algum lugar que a dor é a única emoção que não usa máscara. Não tínhamos dor, mas aquela coisa daquela hora que a gente estava sentindo, e eu nem sei se era alegria, também não usava máscara. Então pensei devagar que era proibido ou perigoso não usar máscara".
Caio Fernando

Constelações no Vidro

Eram 3hs da madrugada, 27.05.07, o batom já não era tão vermelho e os cabelos nem estavam tão arrumados.Estava confortavelmente sentada no banco da frente, o carro - um jeep escuro, o motorista - um conhecido, desconhecido.. risadas ecoavam vindo do banco de trás - seriam amigos? de quem?

O som - um rock antigo e pesado, mas eu só podia ouvir uma música antiga de Maysa Matarazzo, iniciava uma chuva fina, via pontinhos se aglomerando lentamente no pára brisa, gotas prateadas, formavam estrelas, formavam um céu só meu.

Eu vi constelações, as minhas, eu vi lembranças e saudades e pessoas que existem e não existem e até aquelas que nem deveriam existir. Num raro momento vi meus eus de fora, estavam ali expostos, meio que pedindo socorro, meio que rindo.. efeito de drogas e bebidas talvez, mas muito esclarecedor.


"Sempre virá. Odeio quando te enganas assim, girando entre as panelas.A vida é agora, aprende.

O pó se acumula todos os dias sobre as emoções.Estende a tua pata para o Outro, delicadamente.

Cata os piolhos do Outro. Deixa que catem os teus.Esmaga entre os dentes, engole. Fala-me do gosto.O gosto é bom, eu te dizia.

E não impede a asa, a seta disparada em direção a Hydrus, Eridanus..Mas primeiro prova da terra..Depois Voa...Não aprendeste com Ícaro? " Caio Fernando Abreu

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Relógio sem Pilhas

Perdi a hora, mais uma vez, como sempre, relógios são melancólicos se arrastam por uma superfície lisa, milhares de coisas acontecem em segundos, fatos que transformam vidas, um segundo para frente é futuro, para trás passado,e agora presente.. opa, já foi passado e o que eu fiz.. o que fiz de novo.. ou deixei de fazer. relógios nunca me atraíram..

Mas perdi a hora, não vi que a hora de ir embora tinha passado, de novo aquele nó no peito, de novo a falta de ar, outra vez o dia amanhecendo iluminando a foto esquecida na estante, iluminando registro do que foi eterno enquando durou.. mágico, sempre mágico, mas foi preciso ir..

A vantagem de ter uma vida intensa é a magia dos momentos, raros e únicos, felizes. Se fazem eternos por si, apagam mágoas, apagam a raiva, apagam tudo que deixa lembranças foscas...me deixa aqui.. com meu relógio sem pilhas, preso entre os segundos, sofrendo por não sair do lugar.. mas eu sou assim, não sei lidar com tempo, com sentimentos, não sei lidar com pessoas que precisam de mim.. sei lidar com pessoas egoístas como eu..ou iludidas com uma falsa liberdade que juram ter.

Escrito em meio ao caos interno, em 11.08.07